04/05/2016 00:00:00

Ambliopia deve ser tratada ainda nos primeiros anos de vida

Uma vez curada, a ambliopia não retorna mais


Para proporcionar uma boa visão ao longo da vida, as consultas com o médico oftalmologista precisam estar na nossa rotina desde os primeiros anos da infância. Os oftalmopediatras são especialistas em diagnosticar e tratar, o quanto antes, problemas de visão que atingem as crianças. Entre esses problemas está a ambliopia, também chamada de “olhinho preguiçoso”.

A médica oftalmologista Karina Shimizu, do departamento de pediatria do Horp, explica que a ambliopia se caracteriza como uma falha no desenvolvimento neuro-visual da criança. O problema tem cura, desde que seja descoberto e tratado nos primeiros anos de vida. O paciente que não fizer tratamento, pode ter perda visual irreversível. Segundo a médica, a ambliopia é a maior causa de redução da acuidade visual uni e bilateral na infância, e chega a atingir cerca de 3 a 4% da população.

“A ambliopia é uma situação na qual a visão não se desenvolve completamente em um ou nos dois olhos, embora tenham aparência normal. Ela é causada quando algo impede ou dificulta a chegada da imagem à retina. Assim, as vias ópticas e o córtex visual, região do cérebro relacionada à visão, não são estimulados adequadamente, de forma que o paciente não desenvolve completamente a visão”, explica a médica

Karina ressalta que as causas mais comuns da ambliopia são o estrabismo, as grandes diferenças de refração entre os olhos e as alterações oculares que impedem o trajeto correto da luz nos olhos. “Privações da visão de origem física como a ptose e catarata congênita também são causas potenciais da ambliopia. Nos casos mais sérios, pode ser necessária uma correção cirúrgica precoce”, diz.

Dificuldades visuais costumam ser detectadas com maior frequência pelos pais e professores na idade escolar, em que a visão é requisitada para a alfabetização. No entanto, nessa fase, a criança já está completando o seu desenvolvimento visual, restando poucas chances de melhora com o tratamento. “Infelizmente, na rotina de consultório, a procura pelo tratamento da ambliopia ainda acontece por vezes, tardiamente. Portanto, avaliações oftalmológicas rotineiras são essenciais. Segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, é recomendado avaliações semestrais com teste do olhinho até 2 anos de idade e anuais até 8-9 anos. Se os pais observarem que a criança apresenta dificuldades na identificação dos objetos, na percepção da luz, na localização espacial, ou se adota posições estranhas da cabeça quando olha para algo, é possível que tenha algum problema visual. Para descobrir o problema, a consulta com um oftalmologista é imprescindível”, alerta.

A oftalmologista explica que o tratamento da ambliopia consiste em estimular as vias neurovisuais a se desenvolverem. “O tratamento pode consistir em oclusão do olho normal com um tampão e óculos quando necessário. O tempo de uso varia de acordo com a idade e necessidade da criança. A participação ativa da família e da escola no tratamento proporciona melhores resultados. Uma vez tratada, a ambliopia não volta mais”, conta Karina.





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