04/11/2016 00:00:00

Cuidado com a visão: diabetes pode levar à cegueira irreversível

Além do endocrinologista, diabéticos devem visitar anualmente o médico oftalmologista


Quem convive com a diabetes está sempre atento ao glicosímetro, aquele aparelho que mede a taxa de glicose no sangue. Segundo relatório da Organização Mundial de Saúde, essa doença não tem cura e atinge cerca de 16 milhões de brasileiros. Poucos sabem, mas os olhos também sofrem com essa doença. Com o passar dos anos, a falta de atenção com a visão leva os diabéticos a desenvolver a Retinopatia Diabética. Uma doença grave que, se não for tratada, causa cegueira irreversível.

Segundo Rodrigo Silva César, oftalmologista especialista em retina e vítreo do Horp, quanto maior o tempo de convivência com a diabetes, maiores são chances de desenvolver algum tipo de Retinopatia. “A princípio, todo diabético deve fazer exames de fundo de olho anualmente. Nesse exame, é possível detectar alguma alteração provocada pela diabetes, como as dilatações em pequenos vasos sanguíneos, chamados capilares. Quando o médico percebe alguma alteração, ele pode pedir exames mais detalhados, como a angiofluoresceinografia e a tomografia da retina. Esses exames permitem saber em que grau a Retinopatia se encontra e facilitam a escolha do melhor tratamento a ser seguido”, diz.

Segundo o oftalmologista, a Retinopatia Diabética causa alterações vasculares no fundo do olho, que levam ao acúmulo de fluídos na área central da retina, a mácula, responsável pelo foco da visão. “Os vasos sanguíneos retinianos também podem se tornar obstruídos progressivamente, o que impede o fluxo de sangue e oxigênio. Assim, surgem áreas isquêmicas que levam a formação de novos vasos, muito mais frágeis que o normal, que estão relacionados a graves complicações como hemorragia vítrea e descolamento tracional da retina”, afirma.

Rodrigo explica que os tratamentos podem ser feitos por meio de laser, medicamentos ou cirurgia. “O laser é o método mais tradicional, visa impedir que a Retinopatia se desenvolva ainda mais. Recentemente, alguns laboratórios lançaram medicamentos para injetar nos olhos que visam não só interromper o avanço da doença, mas também conseguem melhorar a visão do paciente que já tem Retinopatia. Os medicamentos são aplicados diretamente no vítreo por meio de um procedimento feito em centro cirúrgico, com anestesia”, explica.

A cirurgia apenas é indicada para casos mais graves. “A cirurgia, chamada de vitrectomia, só é usada quando ocorre hemorragia vítrea ou tração na retina e descolamento. Serve para salvar o que for possível da retina”, ressalta. O acompanhamento oftalmológico é um fator decisivo no controle da doença. Em uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV), 87% dos entrevistados, que já tratam doenças da retina relacionadas ao diabetes, afirmaram ter uma melhora significativa na visão a partir de um acompanhamento monitorado por um oftalmologista especialista em retina. “Identificar a doença em seu estágio inicial é extremamente fundamental para preservar a boa visão”, finaliza o médico.





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